25/09/2013

Oscular

gonzo - vitiligo - hipocampos
Eu só preciso de palavras.

(Mas como alcançá-las
sem beber da vossa
dicionária con-
cha?)

A. F.

21/09/2013

Descendo


Tal qual um esqueleto desmembrado
o abismo dos teus olhos vou descendo.
Anjos nus vão imóveis ao meu lado —
é minha alma, algo pura, anoitecendo...

Onde foi que perdi meu brilho alado?
Em que parte do corpo fui perdendo
a fé e, feito flor, oh tu, pecado
nasceu, desabrochou e foi vivendo?

— Oh flor da minha vida, oh Razão
que guia meu calvário e é a igreja
onde fabricam céu e perdição!

Eu desço este abismo se desejas,
mas vou cantando baixo uma oração —
quem sabe Deus me ouça, Deus me veja.

A. F.


15/09/2013

O blues que anoitece os homens


Mas você vem
sorrateira
pela porta...

          Você sempre vem...
          revirar a mesa, espalhar
          os discos, tocar fogo
          nos tediosos dias

— aqueles mesmos dias
a que nós loucos chamávamos
                                         úteis...

A. F.

04/09/2013

04/09/13

Confesso:
eu sou o câncer maligno
do meu trisavô.

Isso explica as mãos
escuras e armadas
e os olhos castanhos
fincados à beira
do abismo; mas...

e a língua? (esta

minha língua de fogo
lambedora de séculos
...) Qual a origem?

A. F.