13/11/2013

O amor é um cão dos diabos

Mais uma vez a Srtª Belle Bueno inventou de me desafiar, como de praxe de forma interessante e divertida. Desta vez tenho de responder a três perguntinhas bem pouco audaciosas sobre minha vida amorosa literária. As questões são as seguintes: 1  Que características fazem com que uma personagem entre para a sua lista de esposas literárias? 2  O que menos te atrai em uma personagem? & 3  Quem é a sua atual esposa literária?

Com a graça do velho Buk vamos às respostas!


Para ser sincero ainda não encontrei a minha esposa literária e, de verdade, nem sei se quero — o casamento estraga tudo. Tenho, isso sim, várias namoradas espalhadas pelas prateleiras empoeirada da minha estante (Deus sabe como as amo!). As características que comumente me fascinam são das mais variadas. Tudo depende da forma como o autor apresenta a personagem, do seu arsenal de palavras e poder narrativo. Gosto das coadjuvantes e tenho especial apreço às antagonistas, às anti-heroínas, às loucas, às suicidas, seres reais e ao mesmo tempo inumanos tamanha particularidade, completude e essência, mas a verdade é que, para mim, não há mesmo regras nem perfis traçados para o amor.  É tudo um jogo, como o sexo, só que são as palavras que devem fazer as vezes da carne e penetrar a alma. Se não há gozo, se não há dor, se não me assusta, se não me encanta, se não me toca profundamente não me atrai e ponto. Gosto de cicatrizes.



Como disse tenho várias namoradas literárias, acontece que acordei esta manhã com Marla Singer e acho justo dar-lhe o devido crédito. Marla, a grande turista. Cabelos negros e lábios franceses carnudos. Lábios de sofá italiano de couro preto. Marla fumando um cigarro olhando para os lados. Oi, Marla. Marla traga o cigarro outra vez. Cabelos curtos, pretos, desgrenhados, olhos sedentos como num desenho animado japonês, cor de leite aguada, amarelada, um vestido estampado com rosas escuras. Marla Singer. As mãos manchadas de nicotina. Seus olhos acabam de encontrar os meus. E então, Marla, como vai querer suas maçãs? Marla me olha nos olhos. Os dela são castanhos. Ela tem orelhas furadas mas não usa brincos. Os lábios rachados estão soltando pele morta. Marla, sua farsante. Atrás da cabeça dela, pouco abaixo do centro, tem um pino entortado embaixo do couro cabeludo. Marla, sua fingida, você não está morrendo. Marla. Marla. Marla Singer. Esqueça esse nome. Bokowski tinha razão.


Para os que não sabem, Marla é personagem da obra-prima de Chuck Palahniuk, Clube da Luta (Figth Club). Nos cinemas foi interpretada — sob direção de David Fincher  por nada mais nada menos que Helena Bonham Carter, encarnação ideal d"A grande turista" que não rendeu para ela nenhum Óscar mas para nós cenas maravilhosas como essa abaixo. Tem como não amar?


A. F.

3 comentários:

  1. Post muito interessante!
    Concordo que o casamento, do ponto de vista literário ou não, estraga tudo, que H. Bonham Carter é uma excelente actriz, e que Bukowski tem muitas vezes razão.
    xx

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  2. O velho Buk é dos bons. E você sabe tocar na ferida, meu!
    Abraços,

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  3. Adorei a resposta *--*
    Mais diva que Helena não há!
    André, sempre respondendo aos meus desafios com classe e estilo ;)
    Um beijo!

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