21/09/2013

Descendo


Tal qual um esqueleto desmembrado
o abismo dos teus olhos vou descendo.
Anjos nus vão imóveis ao meu lado —
é minha alma, algo pura, anoitecendo...

Onde foi que perdi meu brilho alado?
Em que parte do corpo fui perdendo
a fé e, feito flor, oh tu, pecado
nasceu, desabrochou e foi vivendo?

— Oh flor da minha vida, oh Razão
que guia meu calvário e é a igreja
onde fabricam céu e perdição!

Eu desço este abismo se desejas,
mas vou cantando baixo uma oração —
quem sabe Deus me ouça, Deus me veja.

A. F.