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20/08/2014

Caroline

Há qualquer coisa de triste
nessas moças que servem
café.

Encaro a mais feia, peço:
 Um café puro, por favor.
— Já trago, um momento.

(Risco num guardanapo:
Só os desesperados vão
a cafés p/ escrever.)

— Aqui está, mais alguma
coisa?
— Seu nome.
— Oi? Ah, é Caroline...

— Eu sei o seu segredo,
Ca-ro-li-ne, digo ao pé
do ouvido.

Caroline nunca mais
voltará ao trabalho.

A. F.

21/02/2014

Economia doméstica

Mal terminava o jantar as mãos sedentas do marido já a tocavam, engorduradas. Era o último saco, ela pensava, ao se lavar na pia. De manhã afiava a faca, abria o saco e picava mais cebolas  era assim diariamente. Quando acabassem todas as cabeças, ela deceparia a do marido.

A. F.

04/08/2013

Onde cantam as cotovias

1.

Mas que tédio são os dias
onde cantam as cotovias...
Não há drogas, não há vida:
nunca houve um suicida...

Pus os meus barcos no mar
mas não querem navegar...
Tenho moinhos de vento
mas eles giram tão lento...

Nas ruas, todas tão planas,
passam manhãs cotidianas.
Mas que tédio são os dias
onde cantam as cotovias...

2.

Onde cantam as cotovias
cantam outros passarinhos
canções de todos os dias...

Quando acordo no meu ninho
já cansado de morrer
não há sangue, nem vizinho

a quem possa recorrer.
 E esse silêncio lá fora
que não me deixa escrever!

Como eu queria ir embora,
voltar pras minhas orgias,
e me esquecer da aurora
onde cantam as cotovias...
   
A. F.

~ 1º colocado no Desafio de Janeiro realizado
pelo blog Olaria das Letras. (Tema Livre.)

29/04/2013

Traças


O juízo final 
foi adiado 
para o próximo 
domingo 

Traças 
roeram 
o livro 
da vida 

A. F.


02/02/2013

As maravilhas da internet


Ficava digitando o próprio nome no Google
só pra ver se se encontrava.
Se achou um dia num perfil de internet:
tava outro, tinha amigos
e muitos...
tava amado, tava rico, tava lindo!...

Desde então é um novo homem!


                                      André Foltran

25/07/2012

Poeminho

Reparei
que todo sabiá
que é de gaiola

pela manhã
antes de tudo

canta a Canção
do exílio.

~ Publicado na antologia "Mil
Poemas Para Gonçalves Dias"

23/02/2012

Flores

Flores, flores...
estranho como fui dormir
e não havia flores...
Agora, elas aqui
parecem brotar do meu corpo...

Estranho dormir vivo
- acordar
subitamente morto...


André Foltran
Publicado no Livro Diário do Escritor 2013.

15/09/2011

Poema de duas faces só


Quando nasci, um anjo black
desses que vivem caindo
foi entrando em casa sem dizê nada não.

Trancô todo mundo no quarto
levô dvd, os filmes
e a nossa televisão...

A. F.