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04/03/2014

Feriado


* Foto: Feriado

Suspensos neste céu de feriado,
veados verdes em piruetas cantam salmos.
Num cemitério qualquer velam meu corpo:
palavras em latim me encaminham.
É feriado! A vida
pode dormir até às onze...

Suspensos neste céu de feriado
estão veados de metal fazendo circo.
A prefeitura não abriu, nem abrirá.
Um cão está morrendo... Está morrendo!
Não entendemos o feriado, nem o latim...
mas assim mesmo os consumimos,
os gozamos.

Suspensos neste céu de feriado,
veados verdes bebem cantam dançam gri-
tam louvam choram dormem dormem...
Dormem moedas de baixo valor
em meu bolso direito que é rasgado.
De que nos serve dinheiro em feriado?
De que nos serve o feriado? (São
perguntas que abafamos.)

Suspensos neste céu de feriado
estão veados de papel fazendo versos.
Hoje não serei julgado: é feriado! O
inferno não abriu, nem abrirá.
Estou tranquilo, estou em paz, estou contente...
Palavras em latim me encaminham.

A. F.

06/06/2013

Canção Marítima



Nós, os navegantes
da contra maré,
aos olhos da massa
andamos em ré.

Em ré seguem eles
as linhas traçadas.
Não cabem nos mapas
ilhas inventadas...

Na praia de ossos
encontram a paz.
São livros fechados
na beira do cais...

Tão jovens infantes
seguimos de pé,
nós, os navegantes
da contra maré.

Nós, os fabricantes
da contra razão,
negamos cantar
a mesma canção.

Nós, os navegantes
da contra maré,
trazemos no passo
um novo balé.

Nós, os navegantes
 ou vou eu sozinho?
buscando, já louco,
alguém no caminho...

A. F.

(35 x 25 cm) de  Daniloz

06/09/2012

Não quero-quero

Não quero-quero ter de dona a poesia
tampouco quero-quero dominá-la.

Não quero-quero a escravidão da língua.
Não quero-quero carregar bandeira.
Não quero-quero ser poeta.
Não quero-quero da sina
fazer profissão.

Não quero-
quero.

Só quero-quero ser livre!
Só quero-quero ser solto!
como o doce quero-quero da manhã
que esta manhã não veio...
Desenho de galho, John Ruskin.
[Ruskin´s Drawings, Asmolean Museum Oxford, 1997, p. 39]