Houve um tempo
em que era preciso morrer
— e nós morríamos,
de câncer ou de tiro,
de agá-i-vê ou aéroplano...
A gente adorava morrer
— e morríamos aos montes
em guerras tão bonitas,
genocídios adoráveis,
suicídios exemplares...
E nossos jardins
eram imensos cemitérios...
E nossas casas
eram repletas de fantasmas...
A. F.
18/04/2015
12/02/2015
Borboletário
[abril de 2009/fev. de 2015]
Desde os 13
Desde os 13
o meu quarto
está repleto
de borboletas,
borboletas
na janela,
borboletas
nas gavetas,
borboletas
amarelas,
borboletas
pretas,
borboletas,
borbotetas,
borbocetas,
borboletras.
A. F.
* Imagem: Young Andy (1995)
25/01/2015
09/01/2015
O foxtrote dos desiludidos
Como o salão é todo espelhado,
uma hora você acaba se enxergando
severo, severo demais.
Você sabe que perdeu no jogo
qualquer coisa que te fará muita falta,
mas a banda continua, inflexível,
porque o show é bem maior que a vida.
o foxtrote dos desiludidos,
mas a dama não vai perdoar
o seu menor deslize.
Você dança, algo entorpecido,
e pensa em quanto ainda falta
para a hora do embargo total.
Mas a banda continua, inflexível...
zomba de tua desjuventude.
A dama quer tentar aquele giro
que você se esqueceu de ensaiar.
— Hoje você tem dezenove, ela diz,
amanhã terá trinta. A temporada
de ensaios it's over. E rindo:
Todas as formas de suicídio, darling,
resultaram/resultarão inúteis.
Você ri também (em todos os espelhos
suas mãos espalmadas contra o tempo).
Mas a banda continua, inflexível,
enquanto a dama desliza (e com que
facilidade, e com que doçura) para
os braços de um cara mais jovem.
A. F.
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