12/07/2013

Sejamos infantis - amemos

Sejamos infantis - amemos
como amam os lírios e as estrelas
os dragões e os bibelôs
os alemães e os girassóis...

(Amemos
como amam a vida
os suicidas...)

Amemos
sem nenhum pudor, amemos!
Qualquer coisa, a qualquer modo...
sem qualquer razão. Amemos,
tão somente amemos...
Amar, e só.

                         A. F.
* Desenho: Nas quietas
beiradas de  Daniloz


02/07/2013

Poema vadio

Numa rua qualquer eu vejo um cão
e o cão me vê.
Nos entreolhamos: não há anteolhos
nem filosofias.

Vejo o cão mas não reparo o cão
e nem o cão desvenda
o meu segredo.
Não há trânsito.

Daqui a pouco o cão irá passar
- eu também hei de passar -
e nada disso terá importância.
Mas há algo novo, inteiramente novo
acontecendo aqui:

entre mim e o cão
um poema
se elabora.

E pra qualquer lado que decidirmos ir,
a partir de agora, será a caminho
da eternidade.

A. F.

20/06/2013

Triolé dos Afogados


Nademos! Sim! Mas para onde?
Se se afogaram as estradas...
Se o luto corta o horizonte...
Nademos! Sim! Mas para onde?
Se já passou o último bonde...
Se as pernas já estão cansadas...
Se se afogaram as estradas...
Nademos! Sim! Mas para onde?

A. F.

* Desenho: Luminoso Afogado
de Rosa Carvalho (cores
originais invertidas)