Lembra, bb, aquela vez,
nós duas, tão suspeitas,
deitadas no asfalto...
Aquilo que vínhamos cultivando
em alta velocidade,
fora do carro devia parecer
tão perigoso
que estranho seria se qualquer viatura
não nos mandasse encostar,
que estranho seria
se nenhum policial imberbe
nos deitasse no asfalto...
Mas na revista minuciosa
que nos fizeram
não encontraram nada ilícito
com que nos acusar (apesar
de todos os indícios)
e tiveram, tristes meninos,
de nos deixar ir... nós que,
muito antes disso, já nos sentíamos
completamente livres...
E fomos, perigosíssimas,
até o motel mais próximo.
Você nunca pensou em tomar alvejante
enquanto lavava roupa. Até que pensa. Basta uma vez.
Você ficaria surpresa com o número de mulheres
que são encontradas ao lado do tanque, as pernas
em arco, a boca espumando, alvejadas
domesticamente. Você não sabia que lavar a roupa
podia ser fatal. Te ensinaram a tirar manchas, mas não
como identificá-las — se é molho, vinho ou sangue.
Lavar é verbo de guerra. Teu tanque, tua trincheira.
Você leva o alvejante pra perto da boca:
o hábito já disfarçou o cheiro, só lhe resta
conhecer o gosto. Não é tão ruim, você pensa,
os meninos ainda terão roupas limpas
pra resistir por mais duas semanas.
Ela gostava de ficar horas no banheiro se olhando no espelho, fuçando os 64 sexos que tinha,nunca usados. Às vezes lhe dava uma vontade tremenda do que não sabia, uma coceira que ia da alma aos biquinhos saltados dos peitos. E de repente queria beijar a vó septuagenária de língua ou chupar o pau do professor de química ou estuprar o gato angorá da vizinha (ou a própria vizinha) com uma caneta bic ponta grossa. Mas não se escandalizem, senhoras & senhores: a menina era do signo da borboleta. As desse signo (donas de casa, em sua maioria) são para sempre i-no-fen-si-vas...