14/08/2013

14/08/13

Nos dias normais
oscilo entre o inferno
e o tédio.

Mas há um retrato,
feito de foice,
vindo de frente
com o para-brisa.

Há um retrato,
de corpo & alma,
manchando tudo
de cana & sangue.

Há um retrato
pintando o céu
de cores débeis
pois impossíveis.

Estenda as mãos, mulher... já pode tocá-lo!
Oh, que manhã! Que momento!

Só vê Deus quem encara
os olhos da morte...


(Só
se vê Deus uma vez.)

A. F.

04/08/2013

Onde cantam as cotovias

1.

Mas que tédio são os dias
onde cantam as cotovias...
Não há drogas, não há vida:
nunca houve um suicida...

Pus os meus barcos no mar
mas não querem navegar...
Tenho moinhos de vento
mas eles giram tão lento...

Nas ruas, todas tão planas,
passam manhãs cotidianas.
Mas que tédio são os dias
onde cantam as cotovias...

2.

Onde cantam as cotovias
cantam outros passarinhos
canções de todos os dias...

Quando acordo no meu ninho
já cansado de morrer
não há sangue, nem vizinho

a quem possa recorrer.
 E esse silêncio lá fora
que não me deixa escrever!

Como eu queria ir embora,
voltar pras minhas orgias,
e me esquecer da aurora
onde cantam as cotovias...
   
A. F.

~ 1º colocado no Desafio de Janeiro realizado
pelo blog Olaria das Letras. (Tema Livre.)