28/12/2013

Das proibições (1)



Se a placa diz: PROIBIDO PISAR NA GRAMA...
Como, então, criar raízes?

A. F.

* Foto: Proibido pisar na
grama (acervo pessoal)

20/12/2013

Presente de Natal (ou Soneto à minha incrível Gabriela)

À Gabriela de Souza Scareli

Guirlandas se insinuam em dezembro.
Árvores se enfei(t)am pro Natal...
Beirando a loucura ainda lembro
rostos... O teu, Gabi, em especial!

Iemanjá na certa concebeu
esse sorriso teu muito inspirada...
Linda morena, o meu presente (o meu!)
atraca ainda hoje em tua enseada!

Atrás da vossa carne, do esqueleto
há uma luz antiga, uma vela —
é ela que alumia este terceto.

E o que era surpresa se desvela:
um presente de pobre, um soneto...
Soneto à minha incrível Gabriela!


12 de dezembro de 2013

A. F.

~ 4º colocado no Desafio de Dezembro realizado
pelo blog Olaria das Letras. O tema era Natal.


17/12/2013

Soneto para Ana Luísa

“Ana e o mar... mar e Ana” (TM)
***
À Ana Luísa (Green) Ribeiro

Ana Luísa, és Green no sobrenome!
Nas noites frias tens o que te aqueça...
A esperança é a cor do teu nome
e onde há esperança há tocha acesa!

Outro ano passa e ainda a mesma dor:
médicos já não curam o amanhã...
Ah, como odeio o fim do ano por
roubar-te, Ana, das minhas manhãs...

Aninha, Ana Luísa, Ana Banana...
São tantas Anas dentro de uma só!
A Ana meiga que todo mundo ama.

A Ana que machuca sem ter dó.
A Ana esperta; a burra. A Ana humana!
Vão todas para o mar e eu só pó...


11 de dezembro de 2013

A. F.

15/12/2013

As rachaduras

Lá vai Dona Mirtes, pincel em riste, dar mais uma mão de tinta à sua casinha de três cômodos. É a terceira pintura só este ano. Com um filho preso, outro casado e o marido no boteco o serviço da casa fica todo pra ela. São apenas três cômodos. Dona Mirtes (sessenta e cinco anos, nenhum sonho) desta vez escolheu a cor amarela, mas quem se importa? O primogênito casado, mulher e filhos, nunca pode vir; o caçula preso, segundo ano, assalto à mão armada; o marido bêbado, sempre bêbado, violento às vezes. Essas malditas rachaduras! diz, se rindo  ou terá sido: Essas rachaduras malditas!? Estranho... Os fatos acabam de acontecer e já não me lembro. Mas o risinho foi esse mesmo: amarelo como a tinta, como o domingo, como a vida. Segundo Dona Mirtes (sessenta e cinco anos, pouquíssimos sonhos), elas, as rachaduras, sempre dão um jeito de voltar. Cada vez maiores, mais perigosas. Se não pinto acabam me engolindo, explica. Pobre Dona Mirtes (sessenta e cinco anos, todos os sonhos do mundo)... Ainda não aprendeu a lição, a simples lição que um dia, numa manhã mais azul, seja talvez a única moral que arrancaremos de sua pobre fábula: Pintar a casa não resolve o problema das rachaduras.

A. F.

13/12/2013