29/07/2014

A tempestade



[ 1 ]

A festa não tinha

hora para acabar.

Estávamos com tanta sede

que tomamos
direto na veia
a substância da nossa
liberdade.

E como estivéssemos
apaixonados
dançamos o ritmo
da nossa geração
tão distraídos...

E como estivéssemos
embriagados
lançamos facas
uns nos outros
sem medo algum
de nos cortar...

[ 2 ]

Mas muito tarde

os cães da noite
anunciaram
a tempestade

e não deu tempo

de retirar
todos os corpos
da varanda.

— Como explicar

os corpos
na varanda?

— E todo aquele
tédio
nos casacos?

nos perguntávamos

como estranhos
de uma mesma
festa.

[ 3 ]

Arranhei tuas portas

na tempestade
desesperado

mas você não tinha

nenhum adágio
ensolarado
o bastante.

— A tempestade
tanto acaba esta noite
como acaba
nunca, baby, disse
um penetra na
festa.

E isto, por enquanto,
é tudo o que temos
de mais bonito.

A. F.

* Sigur Rós - Fjögur píanó
por Alma Har'el

9 comentários:

  1. André,

    Parece que, no vídeo, o ciúme destruiu o casal. E o poema aí tá pesadíssimo. Tem uma peça do Shakespeare com esse título.

    abraço
    Marcos

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  2. Uma festa que não tem hora para acabar pode sempre acabar mal.
    Quanto ao poema há muito tempo que não lia algo com tanta qualidade.
    Parabéns, André. O vídeo também é interessante no sentido de como de um momento para o outro a coisa fica feia.
    Excelente!

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  3. André; a amor sem limites...nos caminhos da poesia...sempre!!!
    abraços bem carinhosos a ti.

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  4. que vídeo foda!
    acabei desistindo do poema no meio pra rever.

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  5. Que composição maravilhosa!!!

    o amor é uma festa sem hora para acabar!!!

    Abraços

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  6. vim agradecer pelos comentários no meu blog, mas resolvi ficar e ler um pouco mais. sua poesia é boa. ela arde.

    *feliz final de semana ae
    **ah, e obrigado por ter ido lá me visitar!

    abraço grande.

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  7. Me atrai essa obscuridade na poesia...
    Genial esse poema. Deu vontade de ler mais.

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  8. Lindo, real, doloroso. Tanta imagens que da vontade de suspirar, muito gostoso de ler, quase orei para não terminar a poesia.

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